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meditação do dia 04/09/15- O Esposo esperado e os odres novos

Lc 5,33-39

 

Primeira leitura: Colossenses 1, 15-20

Epafras não conseguiu apresentar aos habitantes de Colossos toda a grandiosidade do Evangelho.

Por isso, Paulo procura dar um quadro maduro e refletido de Cristo Salvador, devidamente situado no contexto cósmico e na história da criação.

Para isso, o Apóstolo serve-se de um hino da liturgia dessa comunidade.

O hino cristológico consta de duas partes: na primeira, Cristo é celebrado de acordo com o modelo da Sabedoria-arquiteto de Pr 8, 22-31.

Uma vez que precede toda a criação, o Logos contém de modo particular a imagem do Criador: é o rosto sobre o qual se reflete a sabedoria criadora do Todo-Poderoso; na segunda parte, Cristo é celebrado como único mediador da redenção, descrita em termos de reconciliação, de pacificação, o que implica a ideia do pecado como rotura.

A paz entre o céu e a terra não se resolve no âmbito celeste, como nos mitos antigos, mas por meio do acontecimento histórico de Jesus de Nazaré.

Col1

 

 

Salmo: Sl 99(100),2-5
R. Com canto apresentai-vos diante do Senhor!

 
 Evangelho: Lucas 5, 33-39

A partir de hoje, a liturgia apresenta-nos três polêmicas de Jesus com os discípulos de João Batista: uma sobre a prática do jejum e duas sobre a observância do sábado.
A esmola, a oração e o jejum são três compromissos indeclináveis para os discípulos de Cristo (cf. Mt 6, 1-18).

Mas o que preocupa a Jesus é o modo como os seus discípulos praticam a esmola, a oração e o jejum.

Esta página realça o espírito com que deve ser praticado o jejum.

A alegoria esponsal leva-nos a considerar Jesus como “o esposo”, cuja presença é motivo de alegria e cuja ausência será motivo de tristeza.

A espiritualidade cristã não pode deixar de dar atenção a estas expressões muito pessoais que podem configurar uma relação, não só de filhos com o pai, mas também da esposa com o esposo.

O Antigo Testamento desenvolve muito esta alegoria esponsal para iluminar as relações de Israel com o seu Senhor e a relação de cada crente com Deus.

Este texto distingue também os tempos de Jesus dos tempos da Igreja.

A Igreja é representada pelos convidados que participam da alegria do esposo; mas algumas vezes é apresentada na imagem da esposa, ou do amigo do esposo que lhe está próximo e a escuta (cf. Jo 25, 30).

 

Lc 5,33-39a

 

Boa Nova para cada dia

“Ninguém, depois de beber o vinho velho, deseja o vinho novo, porque diz: o velho é melhor” (Lc 5,39).

Geralmente lemos esta frase de Jesus de uma maneira inadequada.

Jesus não está elogiando o vinho velho, que, todo mundo sabe, para beber é melhor que o novo.

Mas este ‘vinho velho’ ao qual Jesus se refere aqui é a antiga doutrina dos líderes religiosos de Israel. Para eles é que aquele ‘vinho velho’ era melhor do que o novo que Jesus lhes oferecia.

De fato, toda esta passagem do Evangelho está comparando a visão antiquada dos líderes de Israel com a visão nova que Jesus lhes oferece e a todo o Povo Eleito.

É por isso que Jesus diz:

– “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha” (Lc 5,36). Jesus e seu ensino são a roupa nova que não deve ser arruinada continuando na mesma doutrina religiosa dos antigos líderes religiosos judeus. Jesus rompeu com aquela visão ultrapassada. Nada há que salvar naquela doutrina que envelheceu, ficou puída e se rasgou. Chegou o momento em que Israel verá um tempo novo, o anunciado por Jesus, o do Reino de Deus instalado na terra.

– “Ninguém coloca vinho novo em odres velhos …” ( Lc 5,37). Jesus e seu ensino é o vinho novo em todo o seu vigor, que não pode ser posto em odres velhos, isto é, confiado aos antigos líderes judeus. Jesus traz uma nova doutrina confirmada com sua autoridade, autoridade demonstrada em milagres e exorcismos. Aqui também vemos como chegou para Israel um tempo novo. Os antigos líderes estão corruptos e desaparecerão.

Meditemos sobre a novidade salvadora que o próprio Jesus representou para o Povo Eleito e para toda a humanidade. Ele, na Última Ceia, encerrará este período da história de Israel instituindo a Nova Aliança profetizada por Jeremias:

“… dias virão, diz o Senhor, em que concluirei
com a casa de Israel e a casa de Judá
uma Nova Aliança;
não como a Aliança que fiz com seus pais,
quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito,
e que eles violaram , diz o Senhor”
(Jr 31,31).

Tenhamos presente o centro da mensagem desta passagem de São Lucas:

Jesus, porém, não abolirá nem a Lei nem os Profetas, mas sim a maneira antiquada com que os líderes de Israel naquele tempo orientavam a religião judaica.

Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

 

odres novos

 

Homilia

 

Diário Espiritual

No relato bíblico, Jesus não está nem rejeitando e nem aprovando a prática do jejum, mas ele esclarece algo que os discípulos de João não haviam compreendido. O ritualismo no cumprimento do jejum não permitiu perceber o elemento fundamental: Jesus, a salvação, está no meio deles. Jesus é a plenitude da salvação e de todas as práticas de piedade. Ele veio instaurar o novo Reino e nos pede adesão ao seu projeto.

 

Para meditar:

– Parece algo difícil, mas o que Jesus quer nos propor hoje é adaptar todo o ensinamento dele ao nosso tempo. Como vivo o Evangelho hoje?

– Procuro adaptar meu modo de viver às circunstâncias atuais sem deixar me levar por um mundanismo vazio?

– “Nossos tempos são outros” chega a ser uma tentativa de justificar meu comodismo ou uma opção de partir para novos desafios?

– O que faço para testemunhar o Evangelho de modo novo?

– O cumprimento da Lei da Igreja: Missa, Confissão, jejum, dizimo, oração, são para mim, atos vazios, ou uma forma de me aproximar de Deus e dos irmãos?