Arquivos do Blog

meditação do dia 17/07/15- O Filho do Homem é Senhor do sábado

christ-and-disciples-in-grain-field

 

Primeira leitura: Êxodo 11, 10-12, 14

O tema da Páscoa, no relato do êxodo, aparece entre o anúncio e o facto da morte dos primogênitos.

Trata-se de um texto litúrgico, de origem sacerdotal .

É a festa da libertação, mesmo no seio da opressão.

O que Moisés prescreveu para essa noite é o que se cumpre, ainda hoje, no ritual tradicional da ceia pascal hebraica, com que se comemora a libertação dos Hebreus na noite da Páscoa.

É também o rito subjacente à última ceia de Jesus com os Apóstolos, antes da sua morte e, portanto, também da nossa missa.

marcado-com-o-sangue-do-cordeiro

No texto do Êxodo, dá-se grande importância ao cordeiro pascal: descrevem-se as suas qualidades, as condições, o rito do sacrifício, a refeição ritual e a eficácia do seu sangue colocado nas padieiras das portas.

Graças a ele, o anjo exterminador passará adiante, e não sofrerão o flagelo da morte (12, 12ss.).

O sangue do cordeiro é profecia do sangue de Jesus Cristo, «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29), que a todos nos salvará.

 

Os pormenores descritos na perícopa evocam uma realidade vivida pelo povo de Israel naquela noite, e que, agora, são revividos e celebrados.

O memorial envolve todos os hebreus que, ao longo dos séculos, o celebram, transmitindo-lhes a força salvadora e transformadora que os seus antepassados receberam naquela noite.

 

 

Salmo: Sl 115(116B),12-18
R. Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor

 

 

 

Evangelho: Mateus 12, 1-8

 

Boa Nova para cada dia

“Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer” (Mt 12,1)

O Evangelho que lemos hoje tem várias lições dadas por Jesus.

Logo de início nos surpreende que Jesus não repreenda seus discípulos que apanhavam espigas de uma plantação que não lhes pertencia.

Não seria roubo? Furtar não era um mandamento da Lei?

Em Lv 22,23 lemos:

“Quando fizerem a colheita da sua terra,
não colham até as extremidades da sua lavoura
nem ajuntem as espigas caídas da sua colheita.
Deixem-nas para o necessitado e para o estrangeiro.
Eu sou o Senhor, o Deus de vocês”.

Jesus e os discípulos poderiam ter entendido que comer aquelas espigas de trigo lhes era permitido por este outro mandamento da Lei de Moisés. Portanto não seria roubo. Aliás, os fariseus que criticam Jesus por colherem espigas, não dizem que fazem furto, e sim que descumprem o mandamento do sábado, o de não trabalhar.

Outra lição que Jesus dá aos fariseus é mais surpreendente:

“Aqui está quem é maior que o Templo” (Mt 12,6).

O Evangelho não nos relata a reação dos fariseus a estas palavras de Jesus.

Mas ele deve tê-los chocado muito mais do que com a colheita das espigas no sábado.

Se os fariseus não O questionaram naquele momento, mais tarde o farão.

Um dia Jesus expulsou os vendilhões do Templo e disse:

“Destruí este Templo e em três dias o levantarei” (Jo 2,19).

Devemos entender por ‘Templo’, neste caso, dois sentidos.

Um era o Templo de pedra cuja destruição Jesus profetizou (ver Mc 13,2).

O outro era seu Corpo: depois de morto pelos judeus foi glorificado por Deus (ver Jo 2,21).

Por isso Jesus podia dizer-Se maior que o Templo de Jerusalém (ver Mt 12,6).

A outra lição dada neste Evangelho por Jesus se refere à observância do sábado.

Sabemos que Jesus observava o sábado religiosamente. O que ele se recusava a cumprir eram as exigências e acréscimos que os fariseus fizeram à Lei do Sábado.

Mas fica ainda uma lição por explicar: Jesus se disse ‘Senhor do Sábado’.

O que queria dizer?

Não era Deus o Senhor do Sábado?

Entendemos esta consciência de Jesus de ser o Senhor do Sábado quando nos lembramos da cura do paralítico, narrada em Mc 2,1-12. Em Mc 2,5 Jesus lhe disse:

“Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Isto é, Jesus tinha consciência de ser o Filho de Deus; se, como Deus, podia perdoar os pecados, como Deus podia legislar sobre o Sábado.

Este Evangelho, portanto, é uma fonte para nosso conhecimento sobre a divindade de Jesus.

Ele jamais errou no cumprimento da Lei, embora pudesse modificá-la com sua autoridade de Filho de Deus.

Ele não a veio abolir, mas veio cumpri-la totalmente, tal como Deus queria que Ele a cumprisse: dando sua Vida pela Salvação dos homens.

Autor: Pe. Valdir Marques, SJ, Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

252_x_239_b9f696ea71bce8546dfcd946a8e936ce

 

As minúcias da primeira leitura parecem contradizer as palavras de Jesus no evangelho: «Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (v. 7).

Ao falar deste modo, Jesus manifesta o espírito do Antigo Testamento, todos símbolos.

Por exemplo, se o sangue de um cordeiro não é capaz de salvar, também as minuciosas prescrições do sacrifício não são essenciais, mas definem o significado do símbolo.

A carne do cordeiro – diz duas vezes o texto – deve ser comida «nem crua nem cozida na água, mas assada no fogo».

Nestas palavras encontramos algo que relaciona «sacrifício» e «misericórdia».

A morte de Jesus é total dom de si, supremo sacrifício, ato de misericórdia.

Jesus, na sua paixão é transformado pelo Espírito Santo, que é verdadeiro fogo de caridade e de misericórdia.

A carne «assada no fogo» sugere este verdadeiro sacrifício.

A vida cristã não é feita de sacrifícios rituais, mas é união a Cristo.

Quando participamos na Missa, estamos presentes a uma celebração, mas unimo-nos a Jesus, oferecendo a nossa vida na sua, para sermos consumidos pelo fogo do amor.
«Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (v. 7).

Jesus reporta esta frase da Escritura no termo de uma controvérsia com os fariseus escandalizados com os discípulos que, em dia de sábado, colhiam espigas para matar a fome.

Os fariseus estavam convencidos de que, cumprindo cuidadosamente os pormenores da Lei, cumpriam a vontade de Deus.

Mas essa não é a sabedoria evangélica.

Deus revelou-se como libertador, e quer que nos aproximemos dele como filhos obedientes mas livres, obedientes porque livres, capazes de ter em conta as situações, de julgar de decidir pelo bem.

Deus quer que vivamos na caridade e que todos os preceitos estejam submetidos a essa virtude: «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27).

 

Mateus 12, 1-8

 

 

Homilia

 

Diário Espiritual

 

Jesus diz: “Quero a misericórdia e não o sacrifício!” A prática da caridade, está acima da observância cega de normas e da lei.
Questionamentos: Tenho praticado a misericórdia e caridade?

Para nossa meditação, acolhemos também as palavras do Papa Francisco na Bula de Proclamação do Jubilei Extraordinário da Misericórdia, que abrir-se-á no dia 08 de dezembro de 2015:

“Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia.

É fonte de alegria, serenidade e paz.

É condição da nossa salvação.

Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro.

Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida.

Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.”