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meditação do dia 07/04/15-Aparição às santas mulheres e a Maria Madalena

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Primeira leitura: Atos 2, 36-41

O discurso de Pedro culmina com a confissão essencial da fé cristã: «Saiba toda a casa de Israel, com absoluta certeza, que Deus estabeleceu como Senhor e Messias a esse Jesus por vós crucificado» (v. 36).

Estas palavras provocam grande comoção nos ouvintes, que se dão conta da sua culpa na morte de Jesus.

Mas, aos sentimentos de arrependimento, junta-se a percepção de que chegaram os últimos tempos.

Embora não se fale explicitamente da segunda vinda de Cristo para realizar o juízo, ela está implícita na citação de Joel.

Isto explica a reação dos ouvintes: «Que havemos de fazer, irmãos?» (v. 37).

É a pergunta que hão-de fazer todos aqueles que escutam o Evangelho.

Pedro responde a todos: «convertei-vos e peça cada um o batismo em nome de Jesus Cristo… recebereis, então, o dom do Espírito Santo» (v. 38).

É preciso, pois, mudar de mentalidade e de comportamento (metanoia), receber o batismo «em nome de Jesus Cristo», o Enviado, o Messias, o Salvador.

Receber o batismo é sinal de abertura à vida nova, obra do Espírito que liberta da morte e oferece plenitude de vida.

O perdão dos pecados, a libertação da morte e a vida nova no Espírito são oferecidos a todos os que, chamados por Deus, respondem confessando a fé: Jesus é o Senhor!

Essa confissão liberta, os que a fazem, da «geração perversa» (v. 13), isto é, daqueles que, apegados a uma religiosidade legalista, querem impedir os outros de confessarem a fé em Jesus Cristo.

As três mil conversões manifestam a força irresistível do Evangelho, e mostram-nos Pedro no seu novo trabalho de «pescador de homens» (Lc 5, 10).

 

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Salmo: Sl 32(33),4-5.18-19.20.22

Transborda em toda a terra a bondade do Senhor.

 

 

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Evangelho: João 20, 11-18

 

A ressurreição é um facto sobrenatural, testemunhado pelo mundo sobrenatural: jovem vestido de branco (Mc 16, 5), um anjo (Mt 28, 5), homens vestidos de branco (Lc 24, 4), dois anjos (Jo 20, 12).

Ao longo de Jo 20, vemos o crescimento e a afirmação da fé dos primeiros discípulos em Jesus ressuscitado.

O nosso texto compõe-se de duas partes: a aparição dos anjos a Maria (vv. 11-
13) e a aparição de Jesus à mulher (vv. 14-18).

Maria deve ser libertada de um apego ainda muito sensível ao Jesus terreno.

A ultrapassagem desta visão terrena permite ao discípulo encontrar o Senhor.

Maria não chega à fé em Cristo ressuscitado por meio dos anjos, que são simples interlocutores.

De fato, só reconheceu o Senhor quando Ele pronunciou o seu nome: «Maria!» (v. 16), inaugurando nela uma nova vida.

Ao reconhecer o Mestre (Rabbuni!), é convidada por Jesus a anunciar aos discípulos a Ressurreição.

Torna-se então símbolo da fé plena, que se torna missionária e evangelizadora da Palavra de Jesus: «Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito» (v. 18).

O encontro de Jesus com Maria Madalena, e o anúncio feito pela mulher aos irmãos, encerra uma importante mensagem para o discípulo de todos os tempos: o Senhor está vivo e cada um O deve procurar por meio de uma caminhada de fé, na certeza de que, se fizer a sua parte, o Senhor não tardará, por Sua vez, a vir-lhe ao encontro e a fazer-Se reconhecer.

Animados pelo Espírito Santo, os Apóstolos pregaram Jesus Cristo Morto e Ressuscitado.

A Boa Notícia foi acolhida com entusiasmo e «juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas» (41).

Como explicar tantas conversões?

Estava-se no Pentecostes e o Espírito não atuava só nos Apóstolos, mas também nos seus ouvintes.

O discurso de Pedro não era extraordinário nem irresistível.

Mas os seus ouvintes ficaram fortemente emocionados com ele.

E impõe-se uma conclusão: é o Espírito que torna fecunda a Palavra e converte os corações.

O livro dos Atos ilustra esta verdade elementar: o protagonista da evangelização é o Espírito Santo.

Parece que estamos a redescobrir na Igreja esse caminho, que exige mais paz e oração, e menos agitação e correrias.

A pregação só toca os corações quando vai incendiada pelo fogo do Espírito.

O evangelho comove e espanta pela sua simplicidade. Maria chora por aquilo que a devia encher de alegria.

Mas ela ainda não sabe tudo, nem podia sabê-lo.

Só um coração cavado pela dor pode ser repleto de alegria sobrenatural.

Quantas vezes nos deixamos afundar na tristeza, em vez de exultarmos pela alegria que os sofrimentos nos preparam!
Maria não reconhece Jesus porque se deixou envolver na sua ilusão humana:
«Levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram» (v. 13).

As suas palavras não estão totalmente erradas, porque expressam um profundo afeto pelo Senhor.

Mas deve converter-se: procura um morto, e deve procurar um vivo.

Uma tal conversão só irá acontecer quando Jesus a chamar pelo nome: «Maria!» (v. 16).
Nós também só podemos chorar e procurar o Senhor na noite. Mas, quando Ele quiser, pode tocar-nos o coração, chamar-nos pelo nome.

E tudo mudará: «Rabbuni!»,«Mestre!» (v. 16).

 

Nesse episódio, é ressaltada a perseverança das santas mulheres.

 

Embora os discípulos tivessem se retirado, Maria Madalena permanecia junto ao túmulo.

 

Diz S. Gregório Magno: “Buscando, ela chorava, e o fogo de seu amor, tornava ainda mais vivo o desejo por seu Senhor desaparecido.

 

Ela foi recompensada, é a única a vê-lo, pois da perseverança provém a força de toda boa ação”.

 

Ao adverti-la de não tocá-lo, “porque, dizia Ele, não subi ainda ao Pai”, Jesus a erige como sinal para todos os seus discípulos: antes de tocá-lo há de se ter a experiência pessoal e interiorizada de sua presença.

 

A propósito, observa S. Jerônimo: “Como os Apóstolos, também ela deve crer espiritualmente, pois Ele já se encontra estabelecido à direita do Pai, na glória celestial”.

 

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Comentário do dia 

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homília 25 sobre o Evangelho; PL 76, 1188-1196

3ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

Chama-te pelo teu nome

«Se foste tu que o tiraste»: como se Maria já lhe tivesse dito porque chorava!

Fala «dele», sem pronunciar o seu nome.

Tal é o fulgor do amor: quando estamos repletos de amor, acreditamos que os outros sentem o mesmo que nós.

Maria é incapaz de imaginar que alguém possa ignorar a razão da sua imensa tristeza.

Jesus diz-lhe: «Maria!»

Pouco antes, chamara-a pelo nome comum a todas do seu sexo: «Mulher», sem ainda Se dar a conhecer.

Agora, chama-a pelo seu nome próprio, como se lhe dissesse sem rodeios : «Reconhece Aquele que te reconhece.»

Também Deus disse a Moisés: «Conheço-te pelo teu nome» (Ex 33,12).

«Homem» é o nome comum a todos; mas «Moisés» é o seu nome próprio e Deus diz que o conhece pelo seu nome e parece declarar: «Não te conheço como conjunto dos homens, conheço-te pessoalmente.»
Assim, chamada pelo próprio nome, Maria reconhece o seu criador e no mesmo instante responde-lhe: «Rabbouni», que quer dizer Mestre.

Ela procurava-O fora de si, mas Ele pediu-lhe que O procurasse dentro de si.

«Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Vi o Senhor!”

E contou o que Ele lhe tinha dito.»

Neste momento, o pecado dos homens abandona o coração de onde procedia.

Porque se foi uma mulher que, no paraíso, tentou um homem com o fruto da morte, é uma mulher que, no sepulcro, anuncia a vida aos homens e lhes leva as palavras daquele que traz a vida.

 

 

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Diário Espiritual

Maria Madalena, não desiste de buscar o Senhor. Vai novamente ao sepulcro a procura de Jesus morto e O Senhor vem ao seu encontro, Vivo, Ressuscitado!

Na nossa vida existe momentos, que nos parece que tudo acabou: morte, calamidades, dores, desilusões, traições!  Mas também acontecem, reencontramos, esperanças, vida que renasce e nos surpreende: o amor é mais forte do que a morte. São as ressurreições com que Deus nos agracia nesta vida.

Maria Madalena, não perdeu a esperança, buscou, procurou, mesmo quando tudo pareceu ser escuridão. Confiou nas Palavras do Mestre: “Quem procura, vai encontrar”! Ele sempre de deixa encontra, por aqueles que o procuram, ou melhor, Ele vem ao encontro!

 

 

Questionamento:

Nos momentos de provação e dificuldade, como é minha confiança e a minha esperança em Jesus Cristo?

– Você pode dizer sinceramente que Jesus é tudo em sua vida? Em todos os seus atos você procura sempre agradar a Cristo?

– Você está consciente de que Cristo o ama muito, sem considerar as faltas de amor que você cometeu no passado?

– Você se considera um verdadeiro apóstolo de Cristo?

– Você está preocupado em ser um enviado de Cristo a seus irmãos?